Distopia – palavra que confesso desconhecia
até recentemente, seria deixando bem claro anti utopia – essa advinda de um
mundo idealizado por Thomas More em sua
obra da ilha Utopia, do bem maior e do
bom como raiz, o que contraria o mundo real que conhecemos e convivemos.
Não sabia que ao ler e saber de “1984” de
George Orwell e seu Big Brother falava ali de um totalitarismo de forma
simbólica na distopia, o déspota que enverga a todos em desumanidade, tira a
liberdade da maioria por uma minoria controladora de todos.
E ainda houve há tempos o livro "Admirável mundo novo" de Aldous Huxley - uma das primeiras obras em clara distopia de uma sociedade fictícia futura em ditadura anti-utópica. Na obra, o autor descreve um cenário sombrio em que a casta dirigente recorre à lavagem cerebral e à manipulação genética para manter a população idiota. O livro prevê a liberação sexual dos anos 60, as drogas químicas, a clonagem e até a realidade virtual, que ali aparece com o nome de cinema-sensível. Fora todas as outras associações possíveis entre o “mundo novo” de Huxley e o nosso.
Nos anos 70 a obra “Laranja Mecânica” de
Stanley Kubrick repetiu no cinema essa discrepância de fazer de todos, uma
massa ignara em forma de rebanho e para tal até lavagem cerebral é legalizada
dentro da norma do sistema distorcido.
Ao pensar bem, vemos que no fundo a
distopia tem bem mais haver com a nossa realidade que a utopia: quantos
governantes que já não manipularam os seres humanos os querendo autônomos
dóceis de seus projetos de grandeza e dominação?
Tantos livros e filmes então levaram essa
ideia adiante, que post-scriptum, faço
uma relação entre livros que foram adaptados a essa ideia sem idealismo, de um
realismo cru e cruel, sem campo para sonhos individuais, de indivíduos
descerebrados ou tolhidos de liberdade.
Agora recente vi junto com filhote duas sagas,
uma sangrenta outra de elitismo cinematográfico, um de livro em roteiros
adaptado, outra feita pelo diretor e autor-roteirista, que são “Jogos Vorazes”
e “Elysium”. Estão claro em ambos uma pitada forte de distopia.
Vejamos: distopia voraz é esse livro de
Suzanne Collins em que adveio o filme - “Hunger games” – no Brasil “Jogos
vorazes” – em que uma rebelião antiga faz com que 12 distritos tenham que levar
dois representantes cada para uma luta sangrenta de morte e vida ( invertendo
o comum vida e morte ) pois só um se salva. Uma forma atroz de
fazer “um tributo” pela rebeldia de tempos.
Ao primeiro momento achei exagero de trama,
mas já se lembrou que na Roma e na Grécia antiga tiveram arenas em que os mais
fortes aptos que sobreviveriam. Não é de todo descabida a trama não fosse ser
num mundo moderno, recriando uma atmosfera predatória de desumana forma de ser arcaica.
Quem comanda em desmando, vêem rebeldes como inimigos a serem sacrificados ou
punidos. Em sua continuação "Em chamas" deu a entender de uma revolução e haverá uma continuação como no livro dita "Esperança" - uma clara alusão pela utopia.
Governos totalitários como do Nazismo, fascismo, Leninista Stalinista da Russia, Maoista da China, até recentes no
Oriente e africanos, fora no inicio do século XX já não foram assim? Muitas
vezes nas periferias das cidades e sertões, a vida é posta de lado de direitos e a
morte encomendada e a tirania pela violência prevalece. O documentário “Cabra
Marcado pra morrer” de Eduardo Coutinho recém assassinato mostra isso.
Um segundo filme recém visto “Elysium” do
diretor Neill Blomkamp, o mesmo de Distrito 9, que já usara de alegoria
científica para mostrar discriminação com alienígenas em plena África do Sul, lembrando
o apartheid. Que aqui se repete da seguinte forma: a Terra fica com uma vida
miserável e os ricos e poderosos ficam numa espécie estação espacial
gigantesca.
A diferença? Aqui na Terra, a vida ficou
insuportável, com muitas doenças. Lá em cima tudo séptico, organizado e uma
incrível ( inacreditável me parece ) máquina capaz de curar doenças gravíssimas e até
mutilações. Só que quem tem direito a ela é quem está no espaço, longe do povo
ignaro. Lembra uma ilha de fantasia chamada Brasilia? Acho que sim!
Matt Damon com uma doença incurável é então
posto pelo personagem de nosso ator brasileiro Wagner Moura pra invadir em
troca de sua cura. Fora pela personagem de Alice Braga com sua filha doente que
ele nutre sentimentos em meio a barbárie. Os poderosos de lá, claro replicam,
a de Jodie Foster a mais impertinente, inclemente.
Percebemos que hoje atrai bem mais
falarmos mais de distopias que utopias – em outra postagem já falava da
desesperança no mundo e nas pessoas por uma utopia ( http://sergiomsrj.blogspot.com.br/2010/12/uma-utopia-para-viver.html ). A distopia é mais marcante e pior mais
plausível. Ainda que nesses filmes o tratem como formas de fantasias em seus
enredos. Uma pena que hoje a distopia se valha mais atraente de ler e ver que utopias.
Não, na eterna luta do BEM X MAL não
estamos achando mais relevante a segunda – não creio, já que a paz, a boa vontade ainda
há de prevalecer no imaginário de todos nós. Porém, como trama, como drama e
claro uma alusão ao mundo real, a distopia vai ganhando força em obras
cinematográficas e literárias – destarte o sonho da utopia de um mundo mais justo e
bom.
Thriller dos dois primeiros "jogos vorazes"
Thriller de "Elysium"
Na linha dos filmes de distopias - o inverso das utopias, em governos totalitários se fingindo de bons - cujo maior sucesso foram "Jogos vorazes", este é mais intrigante e instigante ainda que com menos apelo popular - "DIVERGENTE" - as pessoas sendo separadas por facções, ao que uma quer se fazer dominante das outras e a nossa heroína distópica da vez vai de encontro contra isso claro! Acabamos de ver, vale o ter a vista!
Exemplos de Distopia no Cinema - fonte WIKIPÉDIA
- Totalitarista: 1984(1984), V de Vingança(2005)
- Corporativista: Robocop(1987), Clube da Luta(1999), Rollerball(1975)
- Tecnológica: O Exterminador do Futuro 2(1991), Blade Runner(1982)
- Ambiental: Nausicaä do Vale do Vento(1984)
- Anárquica:
- Generalizada:
- Cybernética: Minority Report(2002), Matrix(1999)
- Cyberpunk: Akira(1988), Ghost In The Shell(1994)
- Consumista:
- Pandêmica: 12 Macacos(1995), Filhos da Esperança(2006), Ensaio sobre a cegueira(2008)
- Moral: Beleza Americana(1999), Cisne Negro(2010)
- Religiosa: O livro de Eli(2010)
- Privacidade: Tokyo! [seguimento "Shaking Tokyo"] (2008)
- Misógena: A Decadência de uma Espécie(1990)
- Militar: Equilibrium
- Criminosa: A Laranja Mecânica(1971) Fuga de Nova York
- Superpopulação: Battle Royale
- Pós-apocalíptica: Mad Max(1979); O Planeta dos Macacos (1968) A Estrada
- Conspiração:
- Financeira: O Preço do Amanhã
- Alienigena: Guerra dos Mundos(1953)
- Cômica: Brazil(1985)
- Jogos Vorazes (trilogia)
- Divergente (2014)
A literatura distópica - FONTE INFOESCOLA:
Também pode representar um regime utópico que na prática destoa da teoria. As comunidades regidas pela distopia normalmente apresentam governos totalitários, ditatoriais, os quais exercem um poder tirânico e um domínio ilimitado sobre o grupo social.
Nestes estados impera a corrupção e as regras instituídas em nome do bem-estar coletivo revelam-se elásticas. As conquistas tecnológicas são utilizadas também como instrumentos de monitoramento dos indivíduos, da Nação ou de grupos empresariais. Veja-se, por exemplo, o que ocorre no livro de George Orwell, ‘1984’.
Nesta obra o autor descreve uma entidade social governada por uma oligarquia que professa o coletivismo, doutrina em que os bens de produção e o consumo são igualmente distribuídos por cada membro da coletividade. Os que contestam esse regime são combatidos e eliminados. O clássico de Orwell cunhou a expressão ‘Big Brother’, o olho que tudo vê, hoje tão comum.
Publicações como esta reproduzem narrativas que valem como advertências ou ironias, explicitando os modernos pactos sociais e as limitações geralmente transpostas no mais alto grau. Ao contrário das utopias, concretizadas em eras totalmente distintas do mundo atual, as distopias estão profundamente enraizadas a nossa forma de viver.
Geralmente elas se passam em tempos que ainda estão por vir, mas já prestes a chegar, como no ‘cyberpunk’, um subgênero da ficção científica. Aí os escritores apresentam uma corporação equipada com recursos tecnológicos consideráveis. Através deles ela oprime um universo no qual o nacionalismo perdeu força. Destaca-se neste estilo o romance Neuromancer, de Willian Gibson.
A tecnologia em sua versão mais opressiva está presente na trama de Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley. Nesta trama o leitor se depara com um sistema social desprovido de núcleos familiares. A Bioengenharia criou seres fisicamente mais aprimorados. Qualquer questionamento é retificado por meio da ‘Soma’, uma substância que impede a eclosão de qualquer emoção sem qualquer dano ao organismo.
No campo literário as distopias têm início após a consolidação de um regime utópico. Os distúrbios do mundo contemporâneo são apenas velados pela suposta assepsia social. Em um dado momento eles explodem como a lava de um vulcão por longo tempo sufocado.
A maior parte das vezes as histórias são narradas por um protagonista ciente da realidade, porém mergulhado na ignorância geral. Os autores incrementam os enredos com elementos como o abuso da repressão material e mental, a utilização de entorpecentes e de robôs, e a exclusividade do saber, meios usados para oprimir diretamente a sociedade.
Em Laranja Mecânica, um clássico também eternizado nas telas pelo cineasta Stanley Kubrick, em 1971, o autor, Anthony Burguess, foca em um tempo distante, impreciso, no qual a inclinação da Humanidade à violência diverge da cadência do aprimoramento do intelecto, e essa discordância rítmica provoca a derrocada social.
No ponto de vista de Ray Bradbury, expresso genialmente em Fahrenheit 451, outra obra imortalizada no cinema pelo diretor François Truffaut em 1966, futuramente os governos totalitários vão reprimir as pessoas principalmente através da destruição dos livros e da eleição da TV como exclusivo meio de conhecimento e entretenimento.
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